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Quais regiões no Brasil abrigam mais pessoas vivendo em áreas de risco
03/07/2018
Após cruzar duas bases de dados, o censo populacional e um mapa de áreas vítimas frequentes de desastres naturais, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) obteve um quadro que pode ajudar na construção de políticas voltadas a essa população que vive em locais de potencial perigo. O trabalho, que resultou no relatório “População em áreas de risco no Brasil”, lançado na quinta-feira (28), é fruto de uma aliança do instituto com o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão público ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O levantamento considerou a população dos 872 municípios monitorados pelo Cemaden, todos com algum desastre natural (enchentes, enxurradas e deslizamento de terra) no histórico. Resumindo o foco às menores áreas possíveis pelo Censo, o IBGE conseguiu ter uma visão mais realista das características da população vivendo em locais de risco, que somam 8,2 milhões. Desse total, aproximadamente 17,8% são crianças ou idosos, grupos mais vulneráveis em situações de desastres naturais. Embora os dados usados sejam de 2010, a distância temporal não é vista como “significativa” e será atualizada com a publicação de um novo censo em 2020. “[8,2 milhões] não é um número desprezível”, disse a representante do Cemaden, Regina Alvalar, ao jornal O Globo. “É um contingente que precisa ser olhado com especial atenção. Óbvio que é uma estimativa. Esse dado foi levantado a partir do cruzamento das áreas de risco mapeadas com dados coletados em 2010. Estamos em 2018, mas é um número que não mudou muito significativamente, porque idosos morreram, mas crianças nasceram”, afirmou. A parceria entre IBGE e Cemaden data de 2013 e teve, dentre os motivos, a ocorrência dois anos antes do “maior desastre natural deste século” na região serrana do Rio de Janeiro, levando à morte cerca de 900 pessoas, afetando outras 300 mil e causando um prejuízo de quase R$ 5 bilhões. “As consequências devastadoras desse evento corroboraram o consenso entre os especialistas de que a magnitude de um desastre está intrinsecamente relacionada com a interseção de fenômenos sociais, econômicos e demográficos, entre outros, que contribuem para aumentar a vulnerabilidade e exposição da população aos desastres naturais”, diz o relatório. Os pontos críticos Das regiões do país, em números absolutos, o Sudeste é a que responde por mais da metade da população em área de risco, cerca de 4,2 milhões de pessoas. São Paulo lidera com 1,5 milhão. Minas Gerais vem na sequência com 1,37 milhões. Rio de Janeiro aparece com 865 mil e Espírito Santo, com 502,3 mil. Nordeste é a segunda região mais crítica, com uma população de 2,9 milhões pessoas em áreas de risco. A lista segue com as regiões Sul (703,3 mil), Norte (340,2 mil) e Centro-Oeste (7,2 mil). A capital baiana é a cidade com o maior número de pessoas vivendo em locais com maior risco de sofrer deslizamento, inundação ou enxurrada, apontou o IBGE. Quase a metade (45,5%) da população de Salvador se encontra nessa situação. Para Cláudio Stenner, do IBGE, o fato de ser “a cidade mais antiga do Brasil” e ainda contar com alto contingente demográfico em “relevo bastante movimentado com fundos de vale e encostas densamente ocupadas” justificam a estatística. Depois dela, aparecem as capitais São Paulo (674 mil pessoas, ou 6% da população local), Rio de Janeiro (444 mil pessoas, 7%) e Recife (206,7 mil). Igarassu (PE) e Ribeirão das Neves (MG), além de fazerem parte da lista dos 20 municípios com maior número absoluto de pessoas em áreas de risco, ambos têm mais da metade da sua população nessa situação: 68,4% e 60,5%, respectivamente. Os fatores de vulnerabilidade Com informações obtidas pelo Censo 2010, o relatório relacionou características da população (idade, nível de renda etc) e das residências (água encanada, serviço de esgoto e de coleta de lixo) em busca de um diagnóstico que ajude no combate à situação de vulnerabilidade dos brasileiros em áreas de risco. Segundo o relatório, 4,1% da população em municípios afetados por desastres naturais não contavam com serviço de coleta de lixo adequada em 2010, sendo as regiões Norte (14,1%) e Nordeste (6,6%) as de pior situação nesse aspecto. “Em situações específicas, onde não há coleta de lixo, o descarte inadequado pode favorecer a sua concentração de fluxos nas encostas, aumentando o risco de deslizamentos, além de entupir os bueiros, o que impede o escoamento das águas, intensificando os processos de inundações e alagamentos”, diz o documento. Por fim, “apenas 6,5%” não dispunham de água encanada e 26,14% dos moradores não tinham acesso à rede de esgoto. Nesses casos, a região Norte voltou a mostrar os piores números do país: 70,7% da sua população analisada não tem esgoto adequado, e 26,3% é desprovida de sistema de água encanada. “A falta de saneamento, por exemplo, pode provocar inundações e deslizamentos e também pode ser crucial no pós-desastre, se as pessoas estarão expostas a águas servidas e não tratadas”, disse o pesquisador do Cemaden, Dennis Rodrigues, ao jornal O Estado de S. Paulo. Subnormal Além desses fatores, o cruzamento do mapa de áreas de risco com informações sobre a residência, como o que diz se ela se trata de um “aglomerado subnormal” ou não, permitiu saber em que nível a condição de risco está associado a residências precárias, como no caso de uma favela. O levantamento constatou que 20,3% da população analisada (ou 1,7 milhão) mora em conjuntos habitacionais precários. A metodologia e os dados foram disponibilizados pelo IBGE em seu site para download e também por meio de mapa interativo.

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